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METAFÍSICA DO BELO NA GALERIA NARA ROESLER

Por Pool de Comunicação
Fotos Divulgação

A curadora Paula Braga, a partir das reflexões inseridas em Metafísica do Belo, obra de Arthur Schopenhauer, propõe ao espectador três possibilidades de experiência artística mediante trabalhos de 12 artistas. Naqueles selecionados para a primeira sala predominam o princípio da razão, os tormentos subjetivos e a vontade como afirmação do mundo físico, ao qual nosso corpo tem acesso imediato. Já as obras instaladas na sala seguinte e no páteo da galeria afirmam-se pela impossibilidade de serem inteiramente compreendidas pela razão. “Finalmente, equilibrando-se entre a contemplação beatífica do belo e a sofrida fidelidade ao mundo fenomênico, a obra Branco de Laura Vinci fecha a exposição com um jorro pesado de água, lavando o incômodo intelectual de se obter prazer pela contemplação do belo em uma época em que nosso relacionamento com a arte está prioritariamente cerebral”, completa a curadora.

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A primeira sala reúne Ben Vautier, figura expressiva no movimento Fluxus, que recorre à palavra para expressar sua inquietude - “quero ser livre mas não consigo”. Já o homem solitário é tema do grande desenho negro e das cabeças de Gil Vicente. Para a curadora, ainda, a peça pontiaguda de Artur Lescher materializa em belíssima forma a razão dolorida, enquanto o torso solitário minuciosamente feito de pedacinhos de madeira por Luiz Hermano corrobora a aflição da individuação e da fragmentação. Finalmente, segundo Paula Braga, na pintura de Karin Lambrecht desentranha-se em formas anatômicas superpostas, bem ao gosto do conhecimento racional, que analisa corpos, mas não aplaca a dúvida existencial. “Tudo nessa sala é matéria dividida em partes”, resume.

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Nas obras instaladas na sala seguinte e no páteo da galeria “há que se permitir o enlevo de voar com as nuvens de Eduardo Coimbra e pelas paisagens etéreas de Cao Guimarães para compreendê-las pela intuição”. Segundo Braga, nesse segmento, a luz e o estado de iluminação aparecem no grande candelabro de Laura Vinci, Lux., enquanto Shirley Paes Leme revela em sua instalação nuances da luz do espaço real, transformando-o. A luz é também a matéria prima principal da fotografia exuberante da série Stockage de Luzia Simons. Já Mareando, de Katia Maciel, tanto suspende pela beleza das ondas quanto aponta para a experiência de contemplação do belo na natureza. Por sua vez, “silenciosamente, a obra cinética de Abraham Palatnik reforça a tranquilidade de uma harmonia que paira indivisa sobre essa sala”.

Paula Braga é doutora em Filosofia da Arte pela USP e mestre em história da arte pela University of Illinois. Foi a organizadora do livro “Fios Soltos: a arte de Hélio Oiticica” (Editora Perspectiva, 2008) e, além de participar de publicações acadêmicas, colabora com as revistas Ramona (Buenos Aires) e Arte el Dia International (Miami).

Exposição: Metafísica do Belo

Artistas: Luzia Simons, Laura Vinci, Katia Maciel, Artur Lescher, Eduardo Coimbra, Abraham Palatnik, Cao Guimarães, Luiz Hermano, Gil Vicente, Ben Vautier, Karin Lambrecht, Shirley Paes Leme.

Até 02 de fevereiro de 2010, de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h.

Galeria Nara Roesler

Av. Europa, 655 – São Paulo. Telefone : 11.3063-2344

 

 
 
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