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MESTRA IZABEL: DO JEQUITINHONHA, DO MUNDO

Por Martim Pelisson
Fotos Divulgação

As famosas bonecas do Jequitinhonha já fazem parte do inconsciente coletivo do povo brasileiro e, há muito, ultrapassaram o território nacional para conquistar prestígio internacional. Esta primeira exposição individual de Dona Izabel em galeria, Izabel: Do Jequitinhonha, do Mundo, é, contudo, uma rara oportunidade para o público apreciar um conjunto representativo de sua obra, além de poder compartilhar seu processo de produção no workshop que será realizado no dia seguinte à abertura da mostra. As 18 peças selecionadas do acervo da Galeria Estação fornecem um panorama da arte em cerâmica que surge das mãos desta extraordinária retratista da população feminina. Ao adaptar moringas de barro a corpos de mulheres, Dona Izabel acabou por construir uma produção extremamente vigorosa, como poucas, capaz de expandir a geografia de sua terra, o Vale do Jequitinhonha.

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Caboclas, brancas, negras, mulatas, pobres ou ricas, “todas filhas de Deus”, conforme costuma afirmar Dona Izabel, são personagens do seu imaginário. “Arte que reflete o feminino, no roliço dos corpos, na sensualidade discreta, mas presente nas bocas carnudas e vermelhas, nos adereços móveis agregados à escultura – brincos, grinaldas, chapeuzinhos redondos como coroinhas, buquês de flores, pássaros –, bem como naqueles apostos aos vestidos de festa, como o das noivas”, comenta Lélia Coelho Frota, no texto do catálogo da exposição.

Segundo a crítica de arte que há mais de 30 anos dedica-se ao estudo da criação de fonte popular, Dona Izabel retrata as mulheres em momentos solenes de festa ou de saídas profanas, com rostos moldurados por penteados elaborados, crespos, cacheados, lisos com franjas, entre outros estilos. “O tratamento cromático e gráfico das vestimentas, em geral sóbrio - pois toda a inflexão destas esculturas visa conduzir o nosso olhar para os verdadeiros retratos que constituem as cabeças - pode ainda apresentar soluções ousadas de modernidade no trânsito pela figura”, completa Lélia Coelho Frota.

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Izabel Mendes da Cunha, hoje com 85 anos, nasceu no município de Itinga, Vale do Jequitinhonha, na fazenda Córrego Novo. A artista criou ao redor de si uma escola de ceramistas que envolve todos os membros da sua família e muitas outras pessoas. Escultora premiada - Unesco ( 2004), a Ordem de Mérito Cultural do governo brasileiro (2004) -, sua obra figura em livros e ensaios de estudiosos de arte e cultura brasileiras, como, entre outros, os de Angela Mascelani, PhD em Antropologia Social pela UFRJ, Lalada Dalgliesh, PhD no Instituto de Artes da UNESP, Marina de Mello e Sousa , socióloga, historiadora, hoje responsável pelo ensino e difusão da história da África na USP.

Exposição: Mestra Izabel: Do Jequitinhonha, do Mundo

Até 10 de Março de 2010, de Segunda a Sexta, das 11h às 19h, Sábados das 11h às 15h - Entrada franca.

Galeria Estação

Rua Ferreira de Araújo, 625 - Pinheiros

Telefone 011 3813-7253

 

 
 
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