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ADORO OUVIR O CAETANO CANTAR

Por Waldo Hoffmann

Fotos Divulgação

“Adoro ouvir o Caetano cantar. Aquele show no Carnegie Hall que aparece no filme, foi o primeiro e único do Caetano que tive o prazer de assistir. É uma pena que ainda não tive a oportunidade de ver o documentário…”

Gisele participa de uma das cenas do filme de Fernando Grostein Andrade no camarim após o show do Caetano no Carnegie Hall.

Caetano e Gisele

“Adoro ouvir o Caetano cantar!” Esta foi a declaração de nossa supermodelo, Gisele Caroline Nonnenmacher Bündchen, depois de assistir à apresentação de Caetano Veloso no Carnegie Hall de Nova York em 2004. No camarim, após o show, Gisele, de boné e mais alta que ele, abraça um Caetano orgulhoso de sua conquista.

Nascido em Santo Amaro na Bahia, onde permaneceu até os dezoito anos, o cantor se considera um “musiquinho” perto da imensa quantidade e qualidade da música americana. Isso ele mesmo declara passeando pelas arborizadas ruas de Manhattam, de Kyoto e de Tókio, enquanto é filmado com uma câmera digital operada por Fernando Grostein.

Cinco anos de trabalho na edição e montagem deságuam em uma obra criativa, delicada e original. Em Coração Vagabundo, o jovem e criativo diretor registra a turnê A Foreign Sound, por São Paulo, EUA e Japão. Fernando filmou todos os shows e seus bastidores com uma câmera na mão e captou Caetano tanto no palco como na intimidade de seu apartamento em NY e pelas ruas.

Além das imagens das apresentações, o diretor deixou o músico livre para dissertar sobre a saída de sua cidade natal, a vinda para São Paulo, o movimento tropicalista, o exílio e o sucesso no exterior. O documentário revela pensamentos, alegrias e tristezas do cantor e a relação com Almodóvar, David Byrne e Michelangelo Antonioni.

O filme, forte candidato a melhor filme/documentário do ano, começa com a memória do 3o Festival Internacional da Canção em 1968, no qual Caetano chegou a ser vaiado pelo público e teve a música "É Proibido Proibir" desclassificada, por ter incorporado influencias do rock americano. Esta antropofagia cultural foi alvo de um injusto patrulhamento ideológico. Na época estava na moda um tacanho movimento anti-imperialista que jogava fora o bebê junto com a água suja do banho.

Ironia da história, em 2004, no CD A Foreign Sound, Caetano Veloso faz releituras de canções em inglês, com clássicos de Paul Anka, Elvis Presley, Cole Porter, entre outros, com destaque para Come as You Are, do roqueiro Kurt Cobain, da banda grunge Nirvana, além de Feelings de Morris Albert, uma das canções mais gravadas de todos os tempos.

Monica Bergamo noticiou essa semana que o jovem Fernando esta filmando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sua turnê sobre a descriminalização do uso de drogas. FHC preside a Comissão Latino- Americana sobre Drogas e Democracia, junto com outros dois ex-presidentes: César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedllo (México). Presente na reunião de criação da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia na Fiocruz, ao lado de Mark Trace, ex-chefe antidrogas do Reino Unido, o Fernando velho começou bem afirmando que “existir um mundo sem drogas é tão difícil quanto um mundo sem sexo”, em defesa de uma política de redução de danos análoga a da AIDS. Aguardamos ansiosamente o novo filme do Fernando jovem.

 
 
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