entrevista
Marcelo Arnold


ENTREVISTA: MARCELO ARNOLD
Por Leandro Sampaio
Foto divulgação

Você pode até não conhecer sua figura, mas com certeza conhece o seu trabalho. O diretor de arte, e hoje estilista, Marcelo Arnold criou nada menos que o logotipo da Zapping, aquela seta vermelha que se tornou um ícone da moda nacional. Mas depois de anos trabalhando em grifes dos outros, ele resolveu criar a sua própria: a Closet in Panic. Nesta entrevista, Marcelo fala sobre sua vasta experiência profissional e conta seus planos para a nova marca.

Você teve passagens muito importantes por diversas marcas nacionais e internacionais na área de criação e arte. Qual delas mais marcou a sua carreira?
Todas tiveram sua importância, mas a que mais marcou foi em 2006, quando fui selecionado entre 100 diretores de arte de São Paulo pela Nike americana para desenvolver produtos com a cara da cidade que foram produzidos e vendidos nos EUA. Este trabalho se repetiu por três vezes. Eles me passaram os melhores e mais completos briefings que eu já havia lido. Eles foram objetivos e não houve quase nenhuma mudança nos projetos que criei. Eles sabiam o que queriam e eu também. E não posso deixar de dizer que a Zoomp foi uma grande escola, os dez anos trabalhando nesta empresa foram muito mais sque uma ou duas faculdades. Hoje, eu conheço como funcionam os processos de uma marca de moda do começo ao fim.

Como surgiu a idéia de criar a seta da Zapping, que se tornou um dos logotipos mais famosos da moda brasileira?
Foi logo no início da minha carreira. Eu havia me formado em desenho industrial um ano antes, mas logo que me formei fui contratado pela Zoomp como designer gráfico. Na época ainda fazíamos desenhos manuais, tinha que ser desenhista mesmo! Os programas gráficos de computador praticamente chegaram junto comigo na Zoomp, em 1993. E já no começo de 1994, o Renato Kherlakian (fundador e ex-proprietário da marca) se dirigiu para a minha sala pouco antes de viajar para Paris e me disse: “quando eu voltar quero que você deixe pronto o ‘raio da Zapping’”, fazendo analogia com o raio da Zoomp. Eu aceitei na hora, fiquei duas semanas só pensando nisso, rabiscando e rasgando papéis, procurando referências em livros, dicionários de símbolos. Faltando um dia para o Renato voltar de Paris, eu estava deitado, pensando e sem conseguir dormir. Aí, surgiu a ideia. Levantei, acendi as luzes e comecei a desenhar. Um triângulo vermelho é símbolo de um sonho ou desejo realizado, e no meio de uma seta virada para cima, que já era usada no slogan “It`s up to you”, era a melhor idéia que poderia ter naquele momento. Chegando à reunião, que foi logo na primeira hora, preparei uma apresentação para o próprio Renato e todos os diretores da empresa. Logo no começo vi um sorriso grande no rosto não só do Renato, mas de todos os diretores, nem terminei de explicar o significado do que havia feito, e o Renato fechou a reunião dizendo: “fechado. É isso! Parabéns!”. A partir daí eu virei diretor de ate da marca e ajudava o estilo na conceitualização de todas as coleções, criava campanhas, catálogos e assim se passaram dez anos.

Como é ser o diretor de criação de marcas consagradas dentro de um cenário de moda em um país com tantas diversificações em tendências?
Para mim é trabalho e prazer ao mesmo tempo, pois particularmente tenho uma mania incansável de mergulhar no universo de todas as artes, movimentos, comportamentos, e descobrir a essência de cada um. Eu mesmo acabei virando um ser extremamente eclético, é difícil eu não gostar de alguma música, estilo, ou comportamento.
Aquelas perguntas: o que você é? Ou o que você ouve? São difíceis para mim, pois não daria tempo para explicar tudo (risos). Já trabalhei para muitas marcas de diferentes segmentos, e transito muito bem por todos eles, mas a minha paixão é o segmento jovem, e antenado de vanguarda.

Depois de todas esta experiência, você lançou sua própria marca. Conte um pouco sobre a Closet in Panic.
Estou tão ansioso, em relação às pessoas que me perguntam, e mandam e-mails querendo saber quando a Closet in Panic vai abrir uma loja, onde vai vender. O logo é um Galgo, simbolizando alguém que já nasce com design e estilo próprio. O nome da marca simboliza a atitude de homens e mulheres, que amam suas roupas e querem deixar seu closet completo, com tudo que faltava, e podem gritar de satisfação! A Closet, a principio, trabalhou em cima de uma pequena coleção de tees, os produtos foram produzidos com a melhor malha, na melhor estamparia, e naquele momento nosso principal objetivo era sentir o mercado e a receptividade da marca. Mas agora, eu e a Francine Arnold, minha sócia, firmamos com o grupo Santa Fé, que tem entre seus principais integrantes Wilson do Amaral, com uma experiência de mercado de 35 anos e também o Hosuzuka, com mais de 30 anos de mercado, uma estrutura de joint venture, e com isso a Closet in Panic terá uma maior capacitação na área comercial, mercadológica e logística, e também para pesquisa, criação e desenvolvimento das novas coleções.

Que público você pretende alcançar com sua nova marca?
Na realidade, acreditamos que nos dia de hoje o público alvo de uma marca não é definido através de faixa etária, e sim através de um determinado comportamento.
Então posso dizer que a marca é voltada para pessoas de comportamento jovem, que buscam por peças diferenciadas, de qualidade e confortáveis. Mas tenho certeza que todos que conhecerem a marca vão encontrar roupas de qualidade e originais para o seu dia-dia e claro também para a noite.

Pretende abrir uma flag ship em São Paulo?
Ah, este é um grande sonho! Inclusive, até já desenhei como será o projeto, e
claro, que será em São Paulo. Mas neste momento estamos com o foco comercial em multimarcas, até para fortalecer a imagem da marca da maneira mais abrangente possível.

Quais os seus planos para 2010?
Vai ser um o ano que pretendo ter um foco todo especial para a Closet in Panic, e como disse antes, para mim, trabalho e prazer andam juntos.Neste momento também estou trabalhando como diretor de arte na PrCom, a agência que tem a conta do SPFW e de várias marcas nacionais e internacionais de moda, e continuo com meus clientes particulares. Assim ,sempre vou exercitando meu trabalho, criando campanhas, logos, estampas e produtos, e digo isso porque ultimamente vem se tornado mais comum que as marcas de moda terceirizam o trabalho gráfico, branding, identidade visual e campanhas. Não existem mais empresas com a intenção de ter uma house interna para atender: produto, MKT, comercial, e por consequência não existem mais profissionais polivalentes dentro de uma confecção, cada um faz uma coisa e geralmente não entendem o processo como um todo.

 

 
 
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