entrevista
GISELE HARTMANN


ENTREVISTA: GISELLE HARTMANN
Por Leandro Sampaio
Foto divulgação

Gestora da Lacoste francesa no Brasil, Giselle Hartmann, 29 anos, conta para os leitores da Unit como funciona o mundo da moda no varejo. E deixa bem claro que as pessoas que acham que trabalhar com vendas é somente sorrir estão bem enganadas. Para ela, vender moda é vender sonhos, e realizar os desejos de seus clientes.

Qual a relação das palavras moda e varejo em sua vida? E qual a importância delas nos dias de hoje?
Ambas palavras movem minha vida, mas se eu comparar a importância de cada uma, sem dúvida o varejo sai na frente. Quando a gente faz o que gosta, tudo flui e o varejo é minha grande paixão. Moda pra mim tem a ver com essência e atitude. É a primeira impressão que passamos, a forma que queremos ser vistos. Mas não acredito em tendências, pra mim moda se resume em estilo.

O mercado de moda inova a cada estação, mas onde entra o trabalho dos profissionais do setor de varejo ?
Nós do varejo somos fundamentais, pois de nada vale uma coleção incrível, se não se tornar comercial, “vendável”. E o nosso papel é exatamente esse, transportar os sonhos das passarelas ao dia dia do nosso cliente.

Quais as habilidades fundamentais para vender moda?
Informação e conhecimento do produto em primeiro lugar. Sem essas duas coisas você não passa credibilidade ao seu cliente. Pró atividade e comprometimento consigo mesmo, para que seu trabalho tenha estruturas firmes. E o “plus” :boa energia e emoção, que têm tudo a ver com as vendas.

Estar preparada para trabalhar com equipes de vendas, supervisionar lojas, administrar os setores burocráticos , deve exigir muitos cuidados com a mente e com a saúde, conte algumas dicas para manter estabilidade profissional:
Realmente o varejo nos desgasta muito, pelo tempo de trabalho que é excessivo e pela pressão diária. Aí vão minha dicas: não misturar trabalho com vida pessoal, não deixar de ter vida social, estudar sempre, fazer uma atividade física para equilibrar o corpo e a mente e ter muito bom humor.

Qual foi o maior problema que você já viveu administrando lojas de luxo nos Jardins, e qual a maior gratificação na área?
Não lembro de nenhum especial, afinal problemas fazem parte da nossa vida e foram feitos para serem resolvidos, não falados, cultuados (risos). Devo ao varejo tudo que tenho, mas para mim não existe nada mais gratificante que o sorriso de um cliente satisfeito e todas as amizades que fiz com clientes ao longo desses 12 anos de varejo. Relacionamento é tudo!

Ao contrário do que muitos pensam, o varejo de moda também proporciona grandes experiências , como poder viajar para Itália. Fale um pouco sobre essa experiência:

As experiências são constantes e sempre falo para minha equipe que o varejo é uma grande vitrine. Somos observados o tempo todo por nossos clientes e não sabemos quem são essas pessoas. Já presenciei muitas pessoas que cresceram não só dentro do varejo, mas em novas áreas, simplesmente por fazer um bom atendimento em loja. Além disso a área comercial é carente de gente boa, comprometida, que vista a camisa.As empresas estão de olho nisso. Hoje dinheiro não vale nada, o que vale é relacionamento. Quanto a minha viagem à Itália, foi por uma marca italiana que gerenciei por três anos no Brasil e tive a oportunidade de ir para a Europa pela primeira vez, tudo proporcionado pelo varejo. Isso não tem preço!

Trabalhar no varejo, viver de vendas, dedicar grande parte de sua vida para um mundo de sonhos, vale a pena ? Dá dinheiro?
Tudo vale a pena quando acreditamos em alguma coisa, quando temos um foco, um objetivo. Ganhamos dinheiro e temos uma vantagem em relação a outras profissões, pois fazemos nosso salário, através das nossas comissões.

Hoje, você lidera uma grande marca, super bem colocada entre as melhores empresas do setor de vestuário, que é a Lacoste. Como começou esse romance com o crocodilo?
Um amigo da área me indicou para a marca há um ano e meio, época em que eu estava super engajada num projeto pessoal de consultoria de varejo. Foi amor à primeira vista! Me identifiquei na hora com a marca, e com o desafio de liderar uma flagship da Lacoste, na rua em que construí minha carreira, a Oscar Freire.

A Lacoste passou a ser uma marca contemporânea , hoje vista como um ícone da moda mundial. Como funciona a sua relação com os padrões franceses?
Nessa relação, o que acho mais bacana da Lacoste é a moda descompromissada. O estar elegante, como os franceses, mas confortável, despojado. A Lacoste é minha visão de moda, pois a roupa não tira sua atitude, sua personalidade, apenas agrega bom gosto e sofisticação, de maneira simples. Uma marca de luxo ao alcance de todos. A Marca tem 75 anos de história e o mais sedutor é que hoje está se reinventando, e o varejo pede isso. A Lacoste arrisca porque pode, tem tradição para isso!Nosso crocodilo vale ouro!

Como você trabalha há muito tempo com o varejo, já deve ter visto de tudo. Dê algumas dicas para aqueles que pensam em trabalhar na área, mas acham que moda e varejo são passatempo.
Como gestora tenho a preocupação de manter em minhas equipes profissionais que acreditem no varejo como profissão, não passatempo. Mas para que nosso trabalho seja visto sem preconceitos, o que hoje ainda acontece, a seriedade tem que partir de nós que trabalhamos na área. Faço questão de tratar minha equipe com extremo respeito e treiná-la para que todos tenham um plano de carreira. Hoje o varejo remunera melhor que muitas outras profissões e a prova disso são os inúmeros currículos que recebemos todos os dias de advogados, publicitários, etc.

Em três palavras o que é o varejo para você?
Vida, trabalho e amigos!


 

 
 
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