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BAILARINO LOURENÇO HOMEM
Por Leandro Sampaio
Fotos: Silvia Machado

Lourenço Homem, brasileiro, nascido em São Paulo, hoje com 43 anos, bailarino profissional, teve o início de sua carreira aqui no Brasil e, devido à dança, morou 14 anos na Alemanha, todo esse sacrifício foi para aprimorar suas técnicas de dança e realizar seus sonhos, um deles é transformar crianças carentes em bailarinos profissionais para, assim, retribuir a sociedade com um pouco de sua arte.

O que o ballet significa na sua vida?
O ballet, para mim, é uma ideologia de vida.

Como o "ballet" entrou para a sua vida?
Eu fazia o segundo grau e trabalhava em uma firma de montagens industriais, em que meu pai também trabalhou. O trabalho foi me causando um tédio, esse tédio gerou uma crise de identidade e necessidade de decidir o que eu faria da vida aos 15 anos. Após a crise, decidi optar pelo ballet que é o que me despertava paixão.

O que mais te chamou atenção no ballet, que tenha te levado até o mundo da dança?
Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos fui com minha irmã na casa de uma amiga dela que, na época, fazia aulas de ballet e que era um ano mas velha que eu (hoje em dia, minha amiga). Ela nos mostrou uma sapatilha de ponta e aquilo ficou no meu inconsciente. Além do mais, já dançava com essa minha irmã nos aniversários de amigos na infância e era fã dos Jackson Five.

Quando começou a dançar profissionalmente?
Aos 18 anos.

Quais as dificuldades que teve que enfrentar para continuar o sonho de viver da arte?
Antes de sair do Brasil, as dificuldades eram muita,s pois o campo de trabalho, na época, era bem limitado.

Quais foram seus maiores incentivadores?
Meus amigos e familiares.

Que tipo de experiências o ballet te proporcionou e que aprendizados teve através dele?
O aprendizado de conhecer outras culturas, línguas e outras mentalidades.

Quais espetáculos mais te marcaram e por quê?
Difícil definir... Cada espetáculo é um aprendizado artístico, humanamente diferente e em cada fase da vida você aprende coisas no processo deste espetáculo que não aprenderia se tivesse menos ou mais idade talvez.

Sua volta para o Brasil foi como você imaginava?
Eu tinha um certo receio de voltar para o Brasil, por minha mentalidade ter mudado tanto e eu também. Cada hora, eu imaginava a volta de uma maneira, mas ela foi muito intensa, pois me separei antes de voltar, cheguei e tive uma crise existencial, me senti perdido e tive uma crise de identidade: sou mais daqui, mais de lá, sou dos dois lugares ou sou isso tudo?!? O tema do espetáculo solo que estreei no final de agosto se chama: “... me leva”

O que é preciso para ser um bom bailarino?
Ter paixão pela dança.

E dá para viver da dança?
Sim, desde que você seja bom.

Você já tem tudo o que quer?
Ainda não, sou pretensioso.

Quais são seus projetos?
Continuar dando aula de uma técnica que desenvolvi na Alemanha, começar dar aulas de yoga. Em breve, ter um grupo e fazer alguma coisa no sentido social.

Na sua opinião, quem é o maior bailarino de todos os tempos? Você também se inspirou nele para começar a dançar?
Um dos maiores acho que foi Nijinsky. Não me inspirei nele para começar a dançar, pois conheci a história dele anos depois.

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