entrevista
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UMA NOVA GERAÇÃO
Por Unit team
Foto Divulgação

A Stone Bonker é uma criação do designer gráfico João Henrique Correia que, em 2007 juntou a moda a sua profissão. Se, no início, tudo não passava de camisetas, novas ideias deram origem a coleções completas. O resultado é uma moda com qualidade, seguindo um padrão de irreverência e casualidade

Qual foi e como se sentiu com o seu primeiro trabalho?
Cheguei a São Paulo trabalhando como freelancer e daí conheci o Marcelo Sebá, super Diretor criativo. Em seguida, ele mesmo me convidou para fazer parte do time de marketing da Diesel no Brasil que estava montando como novo Diretor na área da marca. Digo que caí de pára-quedas na área de moda e marketing. Fiquei por três anos lá e fui muito feliz.

O que o levou a deixar a carreira de designer gráfico para entrar no mundo da moda?
Tudo começou como uma brincadeira. Comecei desenhando estampas e montando camisetas para os amigos. Ao mesmo tempo, vinha migrando do design para o marketing no meu último emprego, que era relacionado à moda. No final das contas, as mudanças aliadas à brincadeira me deu coragem para largar o emprego e levar tudo aquilo a sério. Comecei com a Stone Bonker dentro de casa, com 6 meses já estava fazendo showroom. Hoje, estamos entrando na sexta coleção.

Qual conselho ou dica você daria para quem está começando agora?
Se tem talento, tem que acreditar nele. Ter os pés no chão, paciência e persistência. O mercado não é fácil, mas está carente de novidades bacanas. É acreditar e fazer direito. Trabalhar muito também. Há uns 3 anos não tenho férias e, às vezes, nem domingo.
 

Por que o nome Stone Bonker?
Fiz uma pesquisa e fiquei com três nomes na cabeça. Stone Bonker era o último, mas foi o que pegou. E só pegou depois de escolhido, se encaixou perfeitamente ao projeto da marca. Na última temporada, fizemos uma brincadeira na vitrine do showroom em cima do significado da Stone Bonker. Como expressão quer dizer ALGO CERTO, CERTEZA. Já, ao pé da letra, significa LOUCO DE PEDRA. Adesivamos uma frase que exemplifica bem o clima da marca: "Getting drunk on a saturday night is Stone Bonker". A SB é essa brincadeira para o homem e para a mulher que se garante, mas não se leva "too seriously", sem pretensões. É o que é, faz o que quer, veste o que quer e banca tudo isso.

Qual o posicionamento da Stone Bonker? O que ela tem de diferente das outras marcas?
A despretensão no espírito da marca. A mensagem da Stone Bonker talvez seja mais forte do que o produto em si. A impressão que temos é essa e isso é bacana.

O que um profissional precisa para ser bom neste mercado?
Sensibilidade para perceber necessidades. Sejam elas do mercado, dos clientes e até de quem trabalha contigo. Às vezes vejo que são necessidades pequenas, mas que, no final, fazem uma grande diferença. Precisa ser pontual e responsável também.

Quanto tempo você levou para tomar a decisão e decidir que era hora de mudar?
Foram 8 meses desde a ideia inicial até pedir demissão.

Nesta nova fase, quais foram as suas principais dificuldades e vitórias?
Dificuldades são muitas. Produção é um processo complicado, ainda mais para quem é pequeno. Precisa de um esquema forte em cima para que tudo funcione direitinho. No final, tudo acaba dando certo e a satisfação de ver a coleção pronta na arara não tem preço. Vitória! Posso falar também da repercussão internacional que temos em termos de mídia, ressaltando que ela é espontânea. Nunca procuramos, fomos encontrados. No Brasil, ainda são poucos os que falam e acreditam num trabalho bacana pelo simples fato de ele ser bom. Precisa ter todo um esquema em volta para coisa acontecer. Uma pena.

Antes de se tornar um estilista, qual era sua visão da moda no Brasil? O que mudou desde então?
O mercado se estabeleceu dando oportunidade para muita gente. Há 15, 20 anos atrás, conhecíamos só grandes e poucas marcas. Hoje em dia, encontramos uma gama enorme de possibilidades. Mas, às vezes, penso que um dos problemas no Brasil é que tudo precisa custar muito caro para parecer que é bom, ter prestígio. Vejo muita coisa ruim por aí custando os olhos da cara. Por um lado, isso pode ser bom. De certa forma, educa o consumidor, que não é burro, a ter critério e exigir mais.

A marca nasceu masculina. Qual o motivo da introdução do feminino?
O feminino veio por conta de muitos pedidos e daí a gente resolveu implementá-lo como "complemento" do masculino, mas o espírito e o foco da marca será sempre o homem.

Está nos seus planos montar lojas exclusivas ou apenas o mercado de multimarcas está no seu foco?
Temos planos sim. Estamos desenhando. Ainda não sei quando e onde, mas será num futuro bem próximo.

Quem são seus principais concorrentes? Eles realmente existem?
Concorrentes existem sim, mas, hoje em dia, fica difícil apontar um. A gente leva uma vantagem focando no masculino por conta da carência que existe no mercado brasileiro

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar amadurecendo a Stone Bonker. Alcançar todas as regiões do Brasil. Estamos finalizando a loja virtual. A loja "física", como falei, também está no papel. Outras ideias estão na manga. A Stone tem um longo caminho pela frente. Planos? Temos quase todos. Muitas noites sem dormir ainda estão por vir.

 

 
 
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