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DÉBORA AGUIAR

Por Unit team
Foto Divulgação

Como e quando você começou a se interessar pela Arquitetura?
Bem, eu não sabia que queria ser arquiteta até realmente ser uma arquiteta. Há pessoas que sabem exatamente o que irão ser: médicos, advogados, engenheiros. Eu não sabia. Hoje, olhando para a minha vida  e prestando atenção a tantos detalhes, vejo que tinha várias pinceladas arquitetônicas na minha infância: quando fazia a casinha de bonecas da (boneca) Susi tinha até elevador. Ficava horas e horas desenhando. Enfim, a vida profissional é que faz o profissional.

Qual é sua preocupação inicial em seus projetos?
O cliente e suas necessidades.

O que é preciso, hoje, para morar bem?
Busca pelo conforto e bem-estar, em primeiro lugar.

O que considera bom gosto? E mau gosto?
Para mim, tudo que é harmonioso pode ser “eterno”. Podemos dar um novo acabamento, um novo uso, desde que não canse ou não seja agressivo. Tudo que é agressivo não tem harmonia. O que é chamativo demais, cansa.

Já fez algum projeto que não agradou ou não era o que o seu cliente desejasse?
Graças a Deus, nunca tive esse desconforto. Acho que, por estudar muito o cliente antes de projetar o que ele quer, acabo diminuindo consideravelmente esse risco.

Qual foi o maior absurdo pedido por um cliente? Você realizou?

Cada um tem suas necessidades. Não existem absurdos, apenas vontades diferentes e um tempo certo para cada coisa. Por exemplo, há alguns anos eu estranhei quando um cliente pediu que eu projetasse uma televisão de plasma no seu banheiro. Hoje, esse tipo de pedido é perfeitamente normal. O banheiro se transformou na casa. A importância é outra...

Como você pondera a liberdade de criação e as limitações que o ofício impõe?
É preciso ouvir mais do que falar. Assim “captar” o que o cliente quer e o que ele realmente precisa... e trabalhar dentro das necessidades e da disponibilidade financeira dele.

Como imprime o seu estilo pessoal na obra? Quais são os elementos de identidade do seu trabalho?
Não sei se tem uma marca de estilo, mas procuro criar projetos leves, claros e iluminados.
 
Sua obra segue algum estilo específico?
Estilo é algo difícil de definir, ainda mais em uma época de tanta velocidade, movimento e novidades. O novo fica velho rapidamente, e o que era velho é “reeditado”. Então, estilo para mim é conforto e bem-estar. É criar um ambiente, um projeto, que transmita a realidade e a vontade do cliente. Em geral, gosto muito de misturar alguns materiais, rústicos e nobres, para criar um contraponto necessário para um projeto estimulante e propiciar uma atmosfera de aconchego e sofisticação.

É possível apontar algum estilo arquitetônico dominante na cidade?
Não. São Paulo é um caldeirão cultural por conta da diversidade de tudo! Dos povos, culturas e projetos arquitetônicos. Cada bairro se caracteriza de uma forma. Isso é muito marcante na cidade.

Você vira amigo de seus clientes?
Com certeza. Entramos muito na intimidade do cliente. O arquiteto precisa estudar o cliente, sua intimidade, seu dia a dia, sua família e seus hábitos. É muito difícil não nos tornarmos amigos deles. Alguns nos permitem termos mais liberdades e outros, menos.

Você é uma arquiteta bastante solicitada, quanto custa um projeto seu?
Obviamente, cada projeto tem o seu valor. O projeto é algo personalizado e não possui uma tabela de valores.

Para quem está em dúvida em seguir ou não a carreira, quais as características principais que um bom profissional da área deve ter?
Entendi que é necessário sempre muita inspiração e transpiração para conquistar as coisas, e que só o amor constrói. Via que no início dessa carreira que quem saía na frente realmente deslanchava e isso é até hoje. Com a experiência, busco antever as oportunidades e as soluções, e não esperar acontecer; deve-se ir atrás.

Qual, entre suas obras, é a preferida?
Como destaques praticamente todos os projetos são especiais, uma vez que sempre muita energia e amor são colocados para a criação, o desenvolvimento e a execução desses. Há projetos maiores, grandiosos, e há os menores, mas não menos ricos em detalhes.

 
 
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