entrevista
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JULIO ROCHA “VILÃO OU MOCINHO”


Por Unit. Team
Fotos Ricardo Miranda

Na infância, a música e o esporte eram suas preferências. O que o fez seguir a carreira de ator?
Pois é, “o destino é o que embaralha as cartas, mas nós somos os que jogamos”. Eu amei futebol, vôlei, sonhava em ser jogador, amava música, toquei trompete e teclado, mas quando eu comecei a fazer aulas de teatro na escola (eu estava na quinta série) a única coisa em que eu pensava era estar em cima de um palco atuando, nem lembrava mais de bola, de rede... Minha decisão foi natural e espontânea. A ideia de interpretar outras pessoas, de contar uma história, entretendo, “transformando” a plateia, passou a ser meu objetivo, minha paixão.

Qual foi a reação de seus pais na decisão da escolha profissional?
Minha mãe disse: “Eu vou te levar a um psicólogo!” (risos). Brincadeira... Meus pais me apoiaram muito, sem eles não seria possível. Eles sempre quiseram me ver feliz, realizado, além disso, perceberam que realmente eu tinha vocação. Na minha primeira peça profissional (Cuidado: garoto apaixonado), eles foram todos os sábados e domingos me assistir, nunca faltaram. Ao longo do tempo, mesmo quando tudo parecia difícil, eles me incentivavam. Até hoje, eles fazem isso e me dizem: “A vontade humana torna tudo possível”.

O que mudou em sua vida após a estreia em 1995?
Eu passei a estudar mais, a ser organizado, disciplinado, criei mais responsabilidade e comecei a receber salário para fazer o que gostava! (risos)

Quais foram os conselhos recebidos pelo ator Raul Cortez? Eles foram decisivos na sua escolha?
 Eu o conheci quando estava estudando no Célia Helena. Ele ensaiava, aproveitando o espaço da escola, uma peça chamada "Cheque ou Mate". Eu fui pedir alguns conselhos e ele gentilmente me ensinou coisas que nunca mais vou me esquecer. Nossa conversa foi tão importante que passei a lidar melhor, inclusive, com a perda do meu irmão. Nesse momento, eu já sabia que queria ser ator, nossa conversa, além de me fazer evoluir, fez com que eu me apaixonasse mais por esta carreira, pelo trabalho de ator!
A decisão de fazer a minha primeira peça de teatro, enquanto eu ainda estava na escola, veio depois de um papo com o Antônio Fagundes que era tio de uma grande amiga minha, a Roberta Carvalho. Ele também me incentivou bastante e, até hoje, ele é uma grande referência para mim!

Teatro ou televisão? Em sua opinião, qual deles consagra a carreira de um ator?
Os dois! Um ator se consagra por um conjunto de trabalhos. O teatro é um estilo de vida, uma opção, você tem a chance de se arriscar mais, se expondo, se erra, tem que se virar!
Na TV, você tem a opção de voltar uma cena quando ela não ficou boa ou quando você erra uma fala. São duas coisas bem distintas. Tem muitos diretores de teatro e críticos que não assistem à novela. Mas a maior parte da população assiste à TV quase todos os dias! Acredito que, para se consagrar, é preciso tempo e planejamento, além de muito trabalho! Porém, mesmo assim, temos grandes talentos que não são conhecidos pelo grande público.

Vilão ou mocinho? Em qual deles predomina a pessoa Julio Rocha?
Eu sou mocinho, com as mulheres, por exemplo, sempre fui romântico, muitas vezes, até demais... (risos) Na verdade, meus pais foram e são minha referência, eles me proporcionaram exemplos de como amar e a respeitar o próximo. Ensinaram-me a ser grato, generoso, solidário e nunca fazer para o próximo o que eu não gostaria que fosse feito comigo! Agora, se você parar o carro numa vaga de deficiente sem ser deficiente, ou maltratar um idoso, uma criança, um animal na minha frente, talvez, eu não seja muito gentil... (risos)

Qual seu ritual para manter a boa forma, entre tantos trabalhos?
Dieta, alimentação saudável, corrida. Malho na academia Target e estou tendo uma excelente consciência corporal, conhecendo melhor meu corpo, hoje estou treinando como nunca treinei com a supervisão do Fabiano Hein. Projeto carnaval 2012... (risos).

Nas novelas Duas Caras e Caras e Bocas seus personagens foram os mais marcantes e os de maior reconhecimento?
Em “Duas Caras”, não havia lugar que eu fosse e que as pessoas não viessem falar comigo, perguntar sobre a novela, falar da personagem... Confesso que isto é muito prazeroso, mas viveria sem. Meu comprometimento é com o meu trabalho de ator independente da fama. Fiquei 10 anos no anonimato e era também muito feliz.
Em “Caras e Bocas”, a personagem era um vilão e foi muito bom fazê-lo, houve um retorno grande por parte do público. O retorno, para mim, às vezes, é a reação do público em relação à personagem. A antecessora das duas, “Paraíso Tropical”, que fiz o chefe de cozinha Wagner Alencar, sujeito muito prepotente e orgulhoso, o retorno junto ao publico também foi imediato! Quase ninguém vinha falar comigo! Percebia que as pessoas não ficavam à vontade, pois contaminadas pelo caráter da personagem! Um dia estava, no saguão de um hotel, no RJ, uma senhora idosa deixou cair a sombrinha, fui ajudá-la, quando me abaixei para pegá-la ela me deu um tapa na mão virou-se e disse: “Não gosto do senhor!”.

Ser protagonista de novela é desejo de todo ator. Quando você acredita que um profissional está pronto para assumir este posto?
Eu estou PREPARADO! Pode divulgar essa nota!? (risos)
Na verdade, um ator está sempre buscando desafios e acho que, no fundo, ele esta sempre se preparando, aprendendo e se desenvolvendo. Ele nunca está preparado. Além disso, ouvi alguém dizer que o cara só pode dizer que é ator depois de 10 anos de profissão. Já passei uma década fazendo isso! (risos)
Quem será que vai ser o primeiro a me convidar para ser protagonista? Só o tempo dirá... (risos)

Qual foi seu maior aprendizado durante seus estudos na renomada New York Film Academy? 
(risos) Meu Deus!!! Tive muitas lições, muitas... Poderia ficar horas descrevendo minha experiência lá. Eu era o único que não tinha fluência no inglês, esse foi um grande desafio, pois lidamos com a palavra. Em contrapartida, a emoção que passamos na interpretação é universal, não tem língua, raça ou credo...
Exercitei novas técnicas de voz, corpo, atuação e improvisação.

E em Portugal? 
Portugal é um espetáculo, você cruza o oceano e encontra as pessoas te recebendo de braços abertos, com muito carinho. Querem falar de sua carreira, do seu trabalho. Tenho um carinho enorme por eles, pelos artistas portugueses, pelo povo em si. Vou trabalhar por lá um dia destes!

Com qual diretor (a) você ainda não trabalhou e espera esse convite?
Tenho vontade de trabalhar com todos que ainda não trabalhei. A Globo tem caras geniais e talentosos, que sabem tudo de TV... É um privilegio ter a possibilidade de, a qualquer momento, trabalhar ao lado de um deles. 

Você está escalado para o elenco da próxima novela das oito da Rede Globo, intitulada Fina Estampa, de Agnaldo Silva. Como será sua personagem?
Não sei muitas coisas e o que sei pode mudar, mas o nome da minha personagem é Wallace, um jogador de futebol.

Além da novela, quais são seus planos para 2011?
Acabei de finalizar meu texto, um solo de comedia stand up. Comecei a fazer stand up em 2002 e estou louco para estrear agora como autor também. O espetáculo ainda não tem nome e isso, até agora, está me parecendo a decisão mais difícil!!! Alguém está disponível para dar sugestões? Pode me ligar ou me mandar uma mensagem para o twitter: @juliorocha_ Estou aguardando... (risos).

 
 
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