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OBESIDADE: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
Por: Luiz de Bragança Soares CRN 12210
Fotos: Divulgação

A obesidade é provavelmente o mais antigo distúrbio metabólico humano, havendo relatos da ocorrência desta desordem desde a antigüidade. Hoje a obesidade é considerada uma pandemia, presente tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, estando distribuída em quase todas as raças, sexos e faixas etárias. A instalação da obesidade não acontece de forma única. Sua etiologia é das mais complexas, resultado de interações entre fatores genéticos, psicológicos, sócio-econômicos, culturais e ambientais. Porém, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem poucas evidências de que algumas populações são mais suscetíveis do que outras por fatores genéticos, o que reforça a tese de que fatores alimentares, em especial a dieta e a atividade física, são responsáveis pela diferença na prevalência da obesidade em diferentes grupos populacionais. Dentre os fatores alimentares, pode-se afirmar que as tendências de transição nutricional ocorrida neste século em diferentes países do mundo, convergem para uma dieta mais rica em gorduras (particularmente as de origem animal), açúcares e alimentos refinados, sendo pobres em carboidratos complexos e fibras. Quanto a prática de exercícios físicos, é consenso que, à medida que a sociedade se torna mais desenvolvida e mecanizada a demanda por atividades físicas diminui, ocasionando uma diminuição no gasto energético diário. No caso do Brasil, estudos comprovam que essa transição nos padrões nutricionais, relacionando-os com mudanças demográficas, sócio-econômicas e epidemiológicas ao longo do tempo, reflete-se em diminuição progressiva da desnutrição e aumento da obesidade. O reflexo desta desordem evidencia-se no grande número de doenças da sociedade moderna. A obesidade pode ser definida como um estado patológico com acúmulo anormal de gordura no organismo.

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Fatores genéticos contribuem com aproximadamente 25 a 30% para a obesidade. A predisposição genética não causa necessariamente a obesidade; no entanto, a partir de estímulos ambientais, os indivíduos com suscetibilidade genética aumentarão de peso, possivelmente em grau significativo. Destaca-se aqui a dieta como um dos estímulos vindos do ambiente que mais tem influenciado o surgimento da obesidade. As características da dieta exercem influência decisiva sobre o estado de saúde dos indivíduos. É através da dieta nutricionalmente balanceada que o organismo obtém energia e nutrientes para o adequado desempenho de suas funções e para a manutenção do bom estado de saúde. A obesidade deve ser encarada como uma doença crônica devido aos múltiplos riscos para a saúde. A perda de peso no indivíduo obeso diminui de maneira significativa o perfil de risco para a saúde. O padrão de distribuição de gordura no corpo deve ser levado em conta ao avaliar os riscos da obesidade para saúde. A gordura distribuída na região abdominal representa um risco maior em comparação com a gordura depositada nas nádegas e coxas , resultando em pré-disposições à hiperinsulinemia, resistência à insulina, diabetes não-insulino dependente, câncer endometrial, hipercolesterolemia, hipertensão e aterosclerose.

A classificação da obesidade se baseia no número e dimensão de adipócitos. Antes da fase adulta a gordura corporal aumenta de duas maneiras: pelo aumento do volume de adipócitos, que recebe a designação de hipertrofia celular e, por um aumento no total de células, denominado hiperplasia. O número de adipócitos torna-se estável provavelmente em alguma época da fase adulta; qualquer aumento ou perda de peso daí em diante estará relacionado habitualmente à hipertrofia das células adiposas individuais. Em casos extremos, o número de adipócitos pode aumentar em adultos mesmo após terem alcançado um limite para a dimensão celular. A Ciência da Nutrição possui ferramentas eficientes para combater esta pandemia que assola a humanidade, porém considerando a complexidade e diversidade dos fatores etiológicos que levam a obesidade, a constituição de uma equipe multidisciplinar envolvendo diferentes profissionais da área da saúde tornaria esta tarefa muito mais eficiente.

 
 
 
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