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O AÇÚCAR REFINADO: UM ALIMENTO CONTROVERTIDO
Por: Luiz de Bragança Soares CRN 12210
Fotos: Divulgação

A sacarose, o mais conhecidos dos dissacarídeos, é glicose e frutose juntos para formar o tradicional açúcar de mesa ou refinado. É encontrada no açúcar da cana, beterraba e no mel. O refino extrai, por processo químico a sacarose do melaço, adicionando conservantes e clarificantes químicos para ficar solto, branco e com boa aparência. Este fato, porém, não é sinônimo de alimento saudável ainda mais se levarmos em consideração que nos hábitos alimentares da atualidade, ele representa 30 a 40% do total de calorias ingeridas diariamente. A primeira parte da sacarose escapa do processo digestivo químico do organismo e se converte em glicose e causa súbita elevação dos níveis de açúcar no sangue.

As moléculas de sacarose não exigem digestão complexa por serem de estrutura molecular simples, desta forma, o açúcar vai direto para o sangue, rompendo o equilíbrio de glicose e oxigênio na corrente sangüínea. Isso faz com que o pâncreas intervenha e produza insulina. A insulina converte a glicose em glicogênio, que é armazenado no fígado e nos músculos, como reserva futura. Ocorre que esta retirada súbita da glicose resulta na hipoglicemia, ou seja, níveis reduzidos de açúcar no sangue. O organismo passa a exigir mais glicose, e , com isso, as nossas glândulas supra-renais, então são obrigadas a produzir hormônios para converter o glicogênio estocado em glicose e desta forma fornecer energia para o organismo. Com o passar dos anos, a constante necessidade de insulina e as quedas no nível de glicose sérico, provocam avarias nas glândulas , por excesso de trabalho. O resultado pode ser o colapso do pâncreas e a instalação do Diabetes tipo 2, patologia que afeta uma considerável parcela da população acima dos 40 anos, constituindo um dos maiores transtornos em termos de saúde pública.

É importante notar que o açúcar não é isoladamente a causa do diabetes, mas uma das variáveis dentre outros fatores de risco. Os carboidratos devem participar com pelo menos 50% das calorias diárias, porém, é imprescindível que os carboidratos complexos como os cereais integrais, legumes, batatas, verduras e frutas sejam a principal fonte de geração de energia mesmo para portadores de diabetes pois sua absorção é lenta e adequada a patologia. A cárie dentária também é outro grave problema que tem sido associado ao consumo exagerado de açúcar refinado, principalmente nas crianças. O problema tem sido minimizado devido a fluoretação da água e melhores cuidados na assepsia bucal. A hiperatividade de algumas crianças também tem sido associada ao consumo excessivo de açúcar, porém faltam ainda evidências científicas significativas para que se possa afirmar categoricamente esta relação. Alguns estudos apontam a desmineralização no organismo como uma resultante do consumo excessivo de açúcar refinado, levando a carência de cálcio, magnésio, zinco, selênio, entre outros micronutrientes.

A conclusão que podemos chegar é que moderação é a palavra-chave, tanto em relação ao açúcar como qualquer outro alimento. A substituição por adoçantes artificiais, embora amplamente difundida atualmente e presente numa infinidade de produtos industrializados, nem sempre é uma boa opção pois são várias as controvérsias sobre estas substâncias. Portadores de patologias como o Diabetes, realmente precisam fazer uso destes produtos e abolir o açúcar da dieta. Devem buscar nos carboidratos complexos a energia necessária para suprir suas necessidades diárias deste nutriente. O indivíduo saudável também deve adotar este comportamento nutricional, porém, nada impede a utilização de mel, stévia, açúcar mascavo, e até mesmo o refinado desde que com muita parcimônia, pois de outra forma a saúde e o equilíbrio orgânico pode ser comprometido de forma irreversível.

 
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